Houston Design System
Fundei o Houston Design System e ele foi adotado por todos os produtos da Eduzz. Enquanto esteve em operação, o impacto atravessou a cadeia de entrega inteira: até 30% menos tempo de handoff e um MVP novo saindo de uma semana para dois dias.
Contexto
A Eduzz é uma plataforma completa para monetização de conhecimento, com produtos que cobrem da criação de cursos online (Nutror) à gestão de negócios (Orbita), venda de ingressos (Blinket), checkout (Checkout Sun) e comunidade (Space).
O portfólio cresceu rápido e o design não acompanhou com estrutura. Para quem vende produto digital, uma experiência fragmentada entre plataformas não é ruído estético: é problema de confiança. Dar fundação ao design virou condição para escalar sem multiplicar o caos.
Problema
Cada produto tomava decisões de design isoladamente. Sem uma fonte da verdade, cada entrega recomeçava do zero.
A base era o Material Design do Google, direto no código, sem tokens nem reuso entre times.
- Componentes codados à mão, gerando variações mesmo dentro de um mesmo produto
- Iconografia divergente entre plataformas, sem critério
- Usuário sentia estar em produtos diferentes da mesma empresa
- Negócio arcava com retrabalho constante e escala travada
Processo
Não havia estrutura formalizada quando o projeto começou. Nas primeiras fases — diagnóstico e princípios —, as decisões foram tomadas em conjunto com a liderança de design. A partir da arquitetura, atuei como Designer Ops, focado na construção do próprio design system: cabia a mim decidir a estrutura e validar cada contribuição.
Diagnóstico
Princípios e arquitetura
Fundação
Design de componentes
Handoff
Teste do componente
Solução
A resposta foi um sistema em camadas — tokens, componentes, documentação, iconografia e navegação — sustentando coerência em toda a plataforma.
Arquitetura em camadas
Mapa da documentação do Houston, organizada em quatro grandes camadas — puramente ilustrativo, pra situar o que vem a seguir.
a. Foundations
- a1. About Houston DS
- a2. Architecture
- a3. Tokens
- a4. Grid
b. Libraries
- b1. Icons
- b2. Illustrations
- b3. Core components
- b4. Templates
- b5. Help components
- b6. Team components
c. Handoff
- c1. Core components
- c2. Team components
d. Others
- d1. Zeroheight
- d2. Github
Tokens como fundação
Cada produto tinha suas próprias variações de cor, tipografia e espaçamento — algumas deliberadas, outras hardcode acumulado. Organizar essa base foi um dos trabalhos mais complexos do projeto: genérica o bastante para servir a todos, específica o bastante para preservar a identidade de cada um.
Tokens não aparecem em tela, e o time queria ver componentes primeiro. Priorizei mesmo assim: sem essa fundação, cada ajuste de cor ou tipografia viraria busca-e-substitui em dezenas de arquivos.
- Cor
- Tipografia
- Espaçamento (squish e stack)
- Borda
- Sombra
- Opacidade
50+ componentes documentados
Segui a ordem padrão de mercado (atomic design): átomos primeiro — botão, campo, ícone —, depois moléculas que os combinam e só então organismos mais complexos. Priorização por impacto em produto dentro de cada camada.
Biblioteca de ilustração
Um conjunto de ilustrações para estados vazios, onboarding e feedback, com o mesmo cuidado de consistência aplicado aos ícones — para que nenhum produto precisasse recorrer a estilos externos.
Guia de redação
Além de componentes visuais, o Houston precisava de consistência na escrita — microcopy, mensagens de erro e tom de voz. Criei um guia de redação com regras práticas para orientar designers e desenvolvedores na hora de escrever para a interface.
Documentação
Toda a documentação vivia no Notion — regras de uso, anatomia, checklists. Cada componente só estava "pronto" quando publicado. Documentar e treinar alongava o prazo por componente, mas evitava o custo pior: um sistema usado errado, que reintroduz a inconsistência que ele existia para eliminar.
Disseminação e adoção
Adoção não vem junto com a documentação. Foi preciso levar o sistema até o time: ensinar o uso e acompanhar a aplicação no dia a dia.
Conduzi workshops com os designers, mantive a documentação acessível em desktop e mobile e acompanhei as revisões para validar a aplicação dos padrões.
No Figma, o onboarding foi prático: mostrei como consumir os componentes da biblioteca e como criar team components quando um produto tinha uma necessidade que o core não cobria.
Resultados
Apesar dos resultados que vinha entregando, a nova diretoria da empresa optou por descontinuar o Houston, sem manter um time dedicado à manutenção. Durante as iterações com os designers e desenvolvedores que usavam o sistema, chegamos a números que valem registrar:
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7 Produtos adotaram o sistema
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−30% Tempo de handoff
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−25% Tasks de prototipação
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+30% Desenvolvimento de telas
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2 dias Front-end para MVP